Os vídeos devem ser assistidos, pela ordem, de baixo pra cima. O texto, mencionado nos vídeos está disponível abaixo.



  
Extraído do livro: Escola Conectada - os multiletramentos e as TICs - Roxane Rojo (org.)
São Paulo: Parábola, 2013 - (p. 136-137)


Multiletramentos: conceito chave na contemporaneidade

Em um primeiro momento, devemos pensar o conceito de multiletramentos a partir de alguns estudos recentes, bem como de suas transformações/incorporações frente às necessidades contemporâneas de ensino-aprendizagem, visando contemplar práticas que possam extrapolar o contexto escolar, ou seja, que considerem o âmbito do trabalho (diversidade produtiva), o âmbito da cidadania (pluralismo cívico) e o âmbito da vida social, levando em conta, neste último caso, as identidades multifacetadas presentes em contexto escolar.

Assim, consideraremos as perspectivas teóricas voltadas para uma pedagogia dos multiletramentos, com base em Kalantzis e Cope (2004), em Cope e Kalantzis (2007, 2008a, 2008b, 2009a, 2009b) e em Knobel e Lankshear (2007), que afiliam suas discussões a uma perspectiva sociocultural dos letramentos. Além disso, alguns conceitos elaborados por Santaella (2007) tratam das diferentes mídias (mídia, multimídia, metamídia) quando lidamos com o ambiente digital e são relevantes para que possamos compreender os objetos escolhidos para análise. 

Cope e Kalantzis (2008a) salientam a importância da criação de contextos de aprendizagem que despertem a sensibilidade dos aprendizes para o mundo global digital. Os autores enfatizam que aprendizados cotidianos são diferentes de aprendizados escolares. Isso significa que, para eles, os aprendizados cotidianos envolvem movimentos endógenos, involuntários, inconscientes, amorfos, casuais (fortuitos), indiretos. Já os aprendizados desenvolvidos em contextos são exógenos, conscientes, sistemáticos, explícitos, estruturados, orientados. Isso quer dizer que o primeiro está em toda parte e este último deve estar embasado em um design previamente constituído (currículo e/ou pedagogia). 

Desse modo, diversos fatores podem estar ligados ao aprendizado, dentre os quais aqueles de ordem cultural, por exemplo. Entretanto, entre os inúmeros fatores em jogo, os fatores voltados para a constituição das identidades, ou seja, aqueles de ordem subjetiva, tornam-se prioridade.

Em um design de currículo pluralista, culturas e identidades dos aprendizes devem fazer parte da construção do conhecimento. Para isso, é preciso levar em conta três elementos: os modos de aprendizagem, os conteúdos de aprendizagem e o grupo envolvido ou contexto estabelecido no processo de aprendizagem. As diferenças (culturais, identitárias) são positivas nesse contexto de aprendizagem, pois podem conduzir o aprendiz à percepção e à colaboração com as diferenças. Essas diferenças podem estar relacionadas, notadamente, a etnia/raça (grupos minoritários, migrantes, indígenas, dentre outros), gêneros (e orientação sexual), grupo socioeconômico, comunidades (locais/regionais e globais) e/ou diferenças de ordem física ou cognitiva. 


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